21/07/2026
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Correios suspendem plano e buscam R$7 bi

Os Correios suspenderam parcialmente o plano de reestruturação que estava em andamento desde o ano passado. A decisão, tomada neste mês, interrompe o fechamento de agências, a retirada de uma gratificação de R$ 500 para funcionários que atendem ao público e a adoção de um sistema de mapeamento de recursos para entregas. A medida foi uma resposta à ameaça de greve dos servidores.

A suspensão ocorre em um momento em que a direção da empresa, comandada por Emmanoel Rondon, busca um novo empréstimo de R$ 7 bilhões. A estatal registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e o rombo deve ser maior neste ano. No primeiro trimestre de 2026, o déficit foi de R$ 3,1 bilhões.

Em nota, os Correios afirmaram que a suspensão é temporária e servirá para que os representantes dos trabalhadores apontem possíveis distorções na aplicação das medidas. A empresa disse que outras iniciativas do plano, como a venda de imóveis e a contenção de despesas, continuam em andamento.

A suspensão foi proposta em uma carta enviada a sindicalistas, como resposta ao movimento grevista. Os trabalhadores indicaram que começariam uma paralisação na terça-feira passada, mas recuaram após o aceno da direção. O estado de greve foi mantido, permitindo uma paralisação a qualquer momento se houver descumprimento dos termos da negociação.

Segundo a carta, à qual O GLOBO teve acesso, o fechamento de unidades está suspenso até 31 de julho de 2026, exceto para aquelas já fechadas ou em processo avançado. No período, novos fechamentos serão avaliados com “análise técnica, institucional e social”.

Também foi suspenso o sistema de dimensionamento de distribuição e a retirada de remunerações como o Adicional de Atendimento em Guichê (AAG) e Quebra de Caixa. A direção se comprometeu a reavaliar os benefícios já encerrados.

Das 1.000 unidades que a empresa pretendia fechar, com economia prevista de R$ 2,1 bilhões, 256 já tiveram suas atividades encerradas. O novo programa de demissão voluntária (PDV) será voltado exclusivamente para essas unidades, que têm 7 mil funcionários.

No primeiro PDV deste ano, apenas 3.075 funcionários aderiram, bem abaixo da meta de 10 mil. A economia foi de cerca de R$ 700 milhões, contra o objetivo de R$ 1,4 bilhão. Agora, a meta é desligar entre 2 mil e 3 mil pessoas.

Na parte do plano que busca novas receitas, a empresa vem avançando em parcerias. O plano de reestruturação foi apresentado no ano passado como condição do governo para que o Tesouro Nacional autorizasse um empréstimo de R$ 12 bilhões para socorrer a estatal.

Sobre o autor: Centro de Noticias

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