04/08/2026
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Israel critica plano de Trump para Gaza e cita riscos

Israel critica plano de Trump para Gaza e cita riscos

Israel informou nesta segunda-feira (3) que levou aos Estados Unidos suas preocupações sobre o plano para Gaza apresentado pelo presidente americano, Donald Trump. A declaração ocorre enquanto o Exército israelense segue com bombardeios no território palestino, após o Hamas ter anunciado que aceitaria o desarmamento.

A situação reforça o distanciamento entre Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Netanyahu enfrenta uma disputa eleitoral em outubro e tenta reforçar sua relação com o presidente americano.

O gabinete de Netanyahu pediu que o Hamas apresente um desarmamento mais claro. O grupo afirmou na sexta-feira que entregaria as armas, conforme o plano de Trump para encerrar o conflito, que prevê ainda a saída gradual das tropas israelenses de Gaza.

Doron Spielman, porta-voz do gabinete do primeiro-ministro, disse à AFP que Israel comunicou suas observações sobre a proposta. “A versão que foi tornada pública não reflete as posições de Israel”, afirmou.

Spielman também disse que os serviços de inteligência israelenses identificaram que o Hamas está se rearmando e recrutando novos integrantes desde o cessar-fogo anunciado por Trump em outubro de 2025.

O acordo de trégua reduziu a intensidade dos combates, mas Israel manteve ataques, afirmando que mira combatentes do Hamas ou sua infraestrutura. Fontes em Gaza contestam essa justificativa.

Uma fonte local disse à AFP que 19 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas desde domingo em mais de 10 ataques de aviões israelenses. Desde o início da trégua, mais de 1.200 palestinos morreram em Gaza, segundo autoridades do território. O Exército israelense informou a perda de cinco soldados e um civil no mesmo período.

Plano de Trump e posição de Israel

Trump classificou seu plano para Gaza como um “marco importante” para encerrar a guerra iniciada após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023. Ele disse à imprensa que Israel estava “muito satisfeito” com o andamento das negociações.

O porta-voz de Netanyahu, por outro lado, afirmou que as ações do Hamas indicam preparação para “novos massacres do tipo de 7 de outubro”. Ele citou que o plano, divulgado pelo “Conselho de Paz” de Trump, prevê Gaza como “uma zona desmilitarizada, desradicalizada, livre do terrorismo e que não representasse nenhuma ameaça para seus vizinhos”.

“Esta visão entra em contradição direta com a realidade atual e com as intenções declaradas do Hamas. O primeiro passo indispensável para qualquer acordo duradouro é a desmilitarização real, verificável e irreversível do Hamas”, declarou. Para ele, qualquer medida que não leve à desmilitarização completa deixaria o Hamas em condições de voltar a ameaçar Israel.

Uma fonte política israelense afirmou no fim de semana que o país, que ainda controla a maior parte da Faixa de Gaza, não retiraria suas forças sem antes verificar o desarmamento do grupo palestino.

Sobre o autor: Centro de Noticias

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