16/07/2026
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Rachas no DF disparam 29% e acendem alerta de segurança

Rachas no DF disparam 29% e acendem alerta de segurança

As vias públicas do Distrito Federal registraram um aumento de 28,95% nos flagrantes de rachas nos primeiros cinco meses de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Dados do Detran-DF mostram que as autuações saltaram de 114 para 147, o que representa uma média de quase uma infração por dia. O número acende o alerta para o perigo nas pistas.

Embora o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não use o termo “racha”, a prática é enquadrada nos artigos 173 e 174, que tratam de “disputar corrida” e “promover competição”. Entre janeiro e maio de 2026, ações do Detran, do DER-DF e da PMDF autuaram 10 infratores por disputa direta de corrida. No mesmo período de 2025, foram oito autuações desse tipo, de um total de 18 registros em todo o ano.

Os motoristas flagrados no artigo 173 recebem multa gravíssima, com suspensão da carteira, recolhimento da habilitação, remoção do veículo e multa multiplicada por 10, que dobra em caso de reincidência em 12 meses. As mesmas penalidades valem para quem promove ou participa de eventos e manobras perigosas sem autorização (artigo 174), tanto para condutores quanto para organizadores. Ao todo, o DF somou 114 autuações por corridas clandestinas entre janeiro e maio de 2025 (313 no ano inteiro) e 147 nos primeiros cinco meses de 2026.

O racha também é crime pelo artigo 308 do CTB. As penas variam de seis meses a três anos de detenção para disputas sem feridos; de três a seis anos de reclusão em casos com lesão grave; e de cinco a 10 anos se houver morte.

Para Leonardo Sant’Anna, especialista em segurança pública e professor do ISCP, a lei atual falha em seu papel pedagógico por permitir fiança e resposta em liberdade. “Quando há a percepção de falta de aplicação da lei, cria-se um reforço ambiental onde o infrator nota que a legislação é fragilizada”, afirma. Segundo ele, a impunidade faz com que o motorista ache que vale a pena correr para mostrar potência do carro ou habilidade.

O especialista considera precoce a discussão sobre endurecer a pena com regime fechado ou confisco de bens. “Talvez o regime fechado nem incomode esse perfil. A análise deve incluir aspectos financeiros e processos de reeducação”, diz. Sant’Anna também aponta que as redes sociais, como Instagram e TikTok, impulsionam os rachas ao transformá-los em espetáculo. Ele sugere que a lei atualize a conduta de divulgar vídeos ou aceitar desafios na internet como agravante.

O problema não é exclusivo do DF. Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 7235/25, do deputado Amom Mandel (Cidadania-AM), que cria o Programa Nacional de Prevenção e Combate às Corridas Ilegais.

Em nota, o Detran-DF informou que a Diretoria de Policiamento e Fiscalização de Trânsito (DIRPOL) faz patrulhamento e fiscalização de rotina para coibir infrações. A Diretoria de Educação também realiza campanhas de conscientização sobre limites de velocidade.

Sobre o autor: Centro de Noticias

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