06/05/2026
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Ronaldinho: alegria pura em documentário na Netflix

Ronaldinho: alegria pura em documentário na Netflix

O autor assistiu à série documental sobre Ronaldinho Gaúcho na Netflix no feriado do Dia do Trabalho. A experiência levou o espectador de um episódio a outro sem conseguir parar, devido ao personagem e à qualidade da produção.

Há um desafio evidente na proposta: condensar mais de duas décadas de história em algumas horas. Ainda assim, o saldo é positivo. A série acerta ao entender que Ronaldinho não é apenas um jogador para ser analisado, mas um fenômeno para ser sentido.

Poucos jogadores foram tão capazes de provocar isso. Ronaldinho deu alegrias em escala quase absurda. Alegria no sentido mais puro da palavra. Não era só eficiência ou talento, mas prazer em jogar. Na história do futebol brasileiro, só Garrincha teria se aproximado tanto dessa capacidade de transformar o jogo em espetáculo espontâneo.

A série captura bem essa essência. Mostra o Ronaldinho que encantou o mundo, redefiniu o que era possível fazer com uma bola e deixou marcas profundas por onde passou. O documentário reforça a veneração quase unânime que ele desperta entre jogadores.

Um dos pontos fortes é o reconhecimento vindo de dentro do futebol. O carinho e a gratidão de Lionel Messi não são protocolares, mas genuínos. Messi admite a importância de Ronaldinho no início da sua trajetória no Barcelona. A série trata essa passagem de bastão simbólica com sensibilidade.

A produção não foge dos momentos difíceis. O episódio da prisão no Paraguai aparece como o ponto mais delicado da narrativa. Ronaldinho atravessa aquilo com distanciamento e leveza, mantendo traços do bom humor que sempre o caracterizou. É um retrato de alguém que lida com a vida sem perder a própria essência.

Há espaço para o lado mais íntimo, especialmente a relação com a família e com o irmão. Esse olhar ajuda a humanizar um personagem que, por vezes, parece quase folclórico.

O que fica é que Ronaldinho é um caso raro de unanimidade afetiva. Ele não era apenas admirado, era querido. Isso faz diferença. Comparado com nomes atuais, Neymar divide opiniões: amado por muitos, rejeitado por outros. Vinícius Júnior enfrenta uma campanha de racismo que impacta sua expressão em campo e fora dele. Nenhum dos dois consegue transmitir a leveza contagiante que Ronaldinho exalava naturalmente.

Ronaldinho se fazia amado, inclusive pelos adversários. Esse é o maior legado que a série resgata. Mais do que gols, títulos ou dribles, ele deixou uma sensação: uma alegria coletiva que atravessava rivalidades e transformava o futebol em algo maior.

Sobre o autor: Centro de Noticias

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