24/04/2026
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175 mil com deficiência votam em seções sem acessibilidade

175 mil com deficiência votam em seções sem acessibilidade

Mais de 175 mil eleitores com deficiência de locomoção estão registrados em seções sem acessibilidade, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) das eleições de 2024. Esse número equivale a mais de 37% dos 471 mil brasileiros com esse tipo de deficiência. Os locais de votação não têm estrutura adequada, como pisos regulares e acessos térreos ou por rampas.

A Justiça Eleitoral permite que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida transfiram o título de eleitor para uma das 185 mil seções acessíveis do País. O prazo para fazer essa mudança vai até o dia 6 de maio deste ano.

Em nota, o TSE afirmou estar comprometido com o “aprimoramento contínuo das condições de acessibilidade”. O tribunal disse desenvolver “iniciativas contínuas para ampliar a inclusão desse público”, com ações previstas no Programa de Acessibilidade da Justiça Eleitoral, criado em 2012, e campanhas de conscientização.

O levantamento do Estadão cruzou o cadastro de votantes com deficiência, com informação do local de votação, e o registro das zonas e seções eleitorais de todo o País, que indica se o local tem recursos de acessibilidade. Os dados são das eleições de 2024 e não incluem o Distrito Federal, onde não há eleição municipal.

O cruzamento mostrou que 37,1% dos eleitores com deficiência de locomoção estavam em seções sem acessibilidade. Em dois Estados, o índice passou de 90%: Mato Grosso e Alagoas. Roraima teve a terceira pior proporção, com 89,1%.

O pior índice foi em Mato Grosso: 94,6% das pessoas com deficiência de locomoção votaram em seções não acessíveis. Das mais de 8 mil seções eleitorais do Estado, apenas 405 tinham recursos de acessibilidade. Dos 5.209 mato-grossenses com deficiência ou mobilidade reduzida, somente 279 estavam registrados em locais adequados.

Procurado, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) disse “não reconhecer os critérios utilizados” pelo levantamento, mas não apresentou dados para contestar.

Para Roberto Tiné, presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), a Justiça Eleitoral fez esforços relevantes na inclusão. Entre 2012 e 2022, o número de seções acessíveis subiu de 23 mil para 156 mil. “Um avanço que tivemos foi o cadastramento da pessoa com deficiência. Depois, o mapeamento dos locais de votação. Agora, precisamos tornar todas as seções acessíveis”, disse.

Tiné lembrou que acessibilidade não é só para pessoas com deficiência: “Há gestantes, obesos, idosos, mães com carrinhos de bebê, pessoas com mobilidade reduzida. O razoável é que tenhamos seções acessíveis para todos. Seção acessível deveria ser pleonasmo.”

Todas as urnas eletrônicas têm recursos de acessibilidade para outras deficiências, como auditiva e visual. Em 2024, o eleitorado com deficiência registrado foi de 1,4 milhão. Esse número pode ser maior, pois o cadastro é autodeclaratório.

Como solicitar a transferência do título

Eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida podem pedir à Justiça Eleitoral a transferência para uma seção acessível. O passo a passo:

– Acesse a página Autoatendimento Eleitoral no site do TSE.

– Selecione “Título Eleitoral” e depois “Atualize ou corrija seu título eleitoral”.

– Clique em “Troque seu local de votação dentro do mesmo município”.

– Preencha o formulário e clique em “Entrar”.

– Na página seguinte, apresente uma foto segurando um documento de identificação e envie uma cópia digital do mesmo documento.

– Escolha o local de votação desejado, dentro do mesmo município.

– Selecione a opção de votar em uma seção com acessibilidade. A página mostrará apenas locais acessíveis.

– Confirme o envio. Será criado um protocolo. O pedido pode ser acompanhado no site do TSE, na aba “Título Eleitoral” e depois “Acompanhe uma solicitação”.

Sobre o autor: Centro de Noticias

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