08/08/2026
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Arábia Saudita, Turquia e Paquistão firmam pacto militar

Arábia Saudita, Turquia e Paquistão firmam pacto militar

Arábia Saudita, Turquia e Paquistão assinaram nesta sexta-feira (7) um pacto de defesa mútua que pode alterar o equilíbrio geopolítico do Oriente Médio e do Sul da Ásia. A aliança acontece em meio ao aumento da tensão regional: o Irã, em resposta à ofensiva liderada por Estados Unidos e Israel, tem atacado aliados americanos na região com drones e mísseis balísticos.

Os sauditas enfrentam ainda a ameaça de grupos ligados a Teerã, como as milícias islamitas do Iraque e os rebeldes houthis do Iêmen. Na quinta-feira (6), dezenas de soldados da coalizão que apoia o governo deposto do Iêmen em 2014, sustentada por Riad, morreram em um ataque houthi. Segundo os sauditas, a Guarda Revolucionária do Irã coordena esses ataques, o que rompe o acordo de paz mediado pela China em 2023.

Os detalhes do acordo tríplice ainda são limitados, mas o simbolismo é grande em uma região marcada por conflitos desde o ataque do Hamas a Israel em 2023. O documento foi assinado em Meca, cidade sagrada do islamismo, reunindo três nações muçulmanas de maioria sunita, enquanto o xiismo, minoria na região, tem no Irã seu principal centro.

O premiê paquistanês, Shehbaz Sharif, e o chefe do Exército do país, Asim Munir, fizeram uma peregrinação em Meca antes da chegada do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. Eles foram recebidos pelo príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman.

No campo militar, o acordo reúne o sétimo maior orçamento de defesa do mundo, o da Arábia Saudita, ao Paquistão, que possui cerca de 170 ogivas nucleares, e à Turquia, com 355 mil soldados, o segundo maior contingente da Otan, atrás apenas dos EUA. No ano passado, sauditas e paquistaneses já haviam firmado um pacto de defesa mútua que, na prática, transformava o reino em potência nuclear na região, onde apenas Israel teria a bomba, com cerca de 90 ogivas não assumidas.

Com o acordo anterior, Islamabad enviou 8 mil soldados e um esquadrão de caças para território saudita. O Paquistão não se envolveu diretamente em retaliações contra o Irã, mas assumiu papel de mediador na crise. Os três países já mantinham laços de defesa: o Paquistão, que travou quatro guerras com a Índia desde 1947, apoia os sauditas há décadas e compra material militar turco.

O pacto também atinge os planos de Donald Trump, que pressionava Riad a normalizar relações com Israel pelos Acordos de Abraão. No mês passado, o americano anunciou um acordo de tecnologia nuclear civil com os sauditas, mas condicionou a transferência a um pacto de paz com o Estado judeu. Turquia e Paquistão são adversários declarados de Israel, o que afasta a posição conjunta do que Trump pretendia.

Para Erdogan, o pacto representa uma vitória política. Em 2024, ele apoiou o Azerbaijão contra a Armênia e foi peça-chave na queda de Bashar al-Assad na Síria. A instalação de um governo de radicais islâmicos na Síria alarmou Israel, que ocupa uma faixa do território sírio em parceria com a minoria druza, confrontando interesses turcos. A Turquia também se opõe à Rússia, que perdeu capacidade de intervir na Síria por causa da guerra na Ucrânia. No Cáucaso, Putin viu seu protetorado na Armênia se dissolver após a derrota militar para os azeris e a paz mediada por Trump.

Sobre o autor: Centro de Noticias

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