Em Brasília, a avaliação predominante é que a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro se tornou o adversário ideal para a reeleição do presidente Lula. Antes mesmo da divulgação do áudio em que o senador cobrava dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, o PT já via na disputa uma oportunidade de vitória.
Com isso, a responsabilidade política por uma possível reeleição de Lula é atribuída à candidatura do senador fluminense. Isolado, Flávio Bolsonaro enfraquece o PL para a eleição, sem o apoio de partidos em uma coligação e sem um nome de peso para a vice-presidência. A menos de 24 horas do prazo final, a tendência é que o partido anuncie um vice da própria legenda, o que reduz o alcance da chapa.
Nesse cenário, Michelle Bolsonaro é apontada como a única opção capaz de agregar valor a uma chapa composta apenas por integrantes do PL. Isso ocorre mesmo após ela ter declarado publicamente que passou por momentos difíceis com Flávio Bolsonaro.
A imagem do pré-candidato do PL não conseguiu se renovar desde o caso das rachadinhas. A proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, que teria financiado um projeto de filme sobre o ex-presidente, aumentou o passivo do senador. A associação da família Bolsonaro com o governo de Donald Trump também gerou desgaste, especialmente depois que os Estados Unidos avançaram sobre os ganhos de exportadores brasileiros.
A eleição de 2026, com Flávio Bolsonaro na disputa, tem caráter plebiscitário. Ele é o candidato que concentra a rejeição de parte do eleitorado que não aceita o governo Lula. Por outro lado, a alta rejeição ao senador favorece a vitória do PT.
Com o atual cenário, Lula não deve perder a eleição, mas também não terá uma vitória plena. Em um quarto mandato, sem base parlamentar sólida, o presidente enfrenta dificuldades e depende de decisões do Supremo Tribunal Federal para superar obstáculos.
Os desafios incluem a taxa de juros, a Selic em 14,25% ao ano, que limita o crescimento e a renda no país. Esse cenário pode comprometer a capacidade do governo de cumprir compromissos. No governo Itamar Franco, a dívida pública era de aproximadamente R$ 63,3 bilhões. Hoje, o endividamento passa de R$ 10 trilhões.
Só em 2025, o governo deve pagar cerca de R$ 1 trilhão em juros nominais. Esse valor é 2,4 vezes maior que a folha de pagamento da União, que custa perto de R$ 416 bilhões por ano. Cada aumento de um ponto percentual no custo da dívida reduz a capacidade de investimento em áreas como saúde, educação, infraestrutura e segurança.
Para mudar esse quadro, Lula precisaria enfrentar a resistência do mercado financeiro. A vitória eleitoral do PT em 2026 não garante uma vitória política ampla. A reeleição seria marcada pela fragilidade da candidatura de Flávio Bolsonaro. Uma derrota de Lula, ainda no cargo de presidente, para um candidato como Flávio Bolsonaro, representaria uma desmoralização completa.
