As mulheres continuam sendo minoria na direção de filmes no Brasil, apesar de representarem a maioria dos formados em cursos de audiovisual. A produtora Minom Pinho afirmou, em entrevista à Agência Brasil durante o festival Bonito CineSur, que a presença feminina em cargos de liderança no cinema não passa de 20% há anos. Para ela, mudanças dependem de políticas públicas e metas claras para ampliar a participação das mulheres no setor.
Minom defende a criação de indicadores objetivos, como a meta de alcançar 30% de mulheres em roteiro e direção de longas-metragens até 2030. Ela avalia que a falta de objetivos formais contribui para a manutenção do cenário atual.
Dados do Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro de 2024, do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA), publicado pela Ancine, indicam que as mulheres representam apenas 17% da direção de séries e filmes nacionais. Em 2023, 231 longas foram dirigidos exclusivamente por homens, enquanto 52 tiveram direção feminina. Nos roteiros, os homens assinaram 165 trabalhos, contra 41 de mulheres.
O mesmo levantamento mostra que as mulheres são maioria em outras funções do setor: 58% na exibição, 54% na distribuição, 99 na direção de arte contra 57 homens e 110 na produção executiva contra 66. Para Minom, essa divisão reflete estereótipos que ainda limitam a atuação feminina na condução das narrativas.
No domingo, o festival Bonito CineSur promoveu uma mesa de debates sobre o protagonismo feminino no cinema sul-americano. Participaram a atriz chilena Paulina Garcia e Gabriela Sandoval, diretora e produtora de indústria do Festival Internacional de Cinema de Santiago (Sanfic). Paulina defendeu mais histórias contadas e interpretadas por mulheres. Gabriela destacou a importância de uma rede de mulheres no continente para fortalecer a participação feminina e ampliar os espaços de decisão nas produções.
