30/07/2026
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Queda de assassinatos no Brasil contrasta com alta do crime organizado

Queda de assassinatos no Brasil contrasta com alta do crime organizado

Os assassinatos registrados no Brasil caíram pelo quinto ano consecutivo, mas o crime organizado e a percepção de insegurança cresceram e estão no centro do debate público nacional. A melhoria nas estatísticas de delitos graves parece ter pouco efeito sobre a preocupação com a violência.

Segundo o sociólogo Daniel Hirata, assessor especial do Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo Lula (PT), não há contradição nisso. Ele afirma que a sensação de vulnerabilidade dos brasileiros é provocada pela influência de organizações criminosas sobre grandes territórios urbanos e pelos crimes patrimoniais, especialmente roubos de celulares.

Hirata recusa a ideia de tratar as mais de 6.000 mortes em intervenções policiais como “dano colateral”. Ele argumenta que brutalidade e corrupção policial andam juntas e, em muitos casos, favorecem o crescimento de facções e milícias.

O sociólogo destacou que, desde 2018, as mortes violentas intencionais diminuem por fatores como envelhecimento da população e dinâmica de enfrentamento entre grupos criminosos. No entanto, a percepção de segurança pública envolve outras dimensões, como o aumento das capacidades logísticas e operacionais do crime organizado.

Ele citou o roubo de celulares como um crime que impacta fortemente a sensação de insegurança. “Em São Paulo, se você tirou o celular do bolso, as pessoas já ficam assustadas”, disse.

Perguntado sobre o controle territorial das facções, Hirata listou cinco dimensões para a retomada de territórios: atuação policial de inteligência, urbanismo social, acesso à Justiça, integração econômica e políticas focadas na primeira infância.

Sobre as UPPs, ele afirmou que o fracasso se deve ao predomínio da atuação policial, que sozinha não oferece alternativas à população. “Houve pressa em fazer tudo, o que tem a ver com ciclos eleitorais”, completou.

O assessor também comentou o aumento da letalidade policial. Para ele, é um equívoco opor controle do crime e respeito aos direitos humanos. “Todas as sociedades em que o crime pôde ser controlado são também aquelas em que as garantias constitucionais são respeitadas”, afirmou.

Ele defendeu a padronização de procedimentos para análise de ações policiais e disse que policiais brutais muitas vezes estão envolvidos em corrupção. “Atuar sobre a violência policial é atuar no enfrentamento ao crime organizado.”

Sobre a baixa taxa de esclarecimento de homicídios no Brasil, abaixo de 40%, Hirata apontou a necessidade de investimento em infraestrutura nas polícias científicas e nos IMLs, além da valorização dos peritos.

Por fim, ele sugeriu que a redução dos assassinatos pode estar ligada à profissionalização do crime. “À medida que o crime se complexifica, mortes violentas passam a não ser um bom negócio”, disse. “Temos que reduzir as capacidades logísticas e financeiras que o crime organizado construiu.”

Sobre o autor: Centro de Noticias

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