03/08/2026
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Crise migratória expõe racha e ofensiva da ultradireita na UE

Crise migratória expõe racha e ofensiva da ultradireita na UE

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou como “inaceitável” a situação em Ceuta, que na semana passada recebeu dezenas de milhares de imigrantes. Em resposta, ela pediu mais colaboração com a Espanha e o envio de mais recursos ao Marrocos.

A declaração foi feita nesta segunda-feira (3), depois de um fim de semana de desentendimentos públicos entre integrantes do bloco. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, pediu mais solidariedade aos colegas e destacou que a Espanha recebeu, nos últimos cinco anos, menos da metade dos imigrantes que a Itália: 234.760 contra 478.600.

Sánchez tentava conter uma onda de desinformação e uma ofensiva política liderada pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. O governo italiano propôs excluir a Espanha do Espaço Schengen e depois impôs restrições unilaterais entre os dois países.

A ação de Meloni resultou em uma carta assinada por 22 dos 27 líderes da União Europeia pedindo uma reunião de emergência e uma resposta mais dura contra a crise. No texto, há uma crítica à política de imigração espanhola, que estaria incentivando a entrada de imigrantes irregulares no bloco.

Para esta terça-feira (4), foi marcado um encontro entre ministros do Interior, após pedido dos dois lados. Na véspera, houve reunião de embaixadores, uma prática comum para alinhar pontos de convergência e evitar atritos.

Apesar da tentativa de Von der Leyen de orientar a pauta, a expectativa para o diálogo não é positiva. Analistas apontam que Meloni deve defender a liberação rápida de centros de detenção terceirizados, como o que construiu na Albânia e que foi proibido pela Justiça italiana e depois pela europeia. Um pacote recém-aprovado sobre imigração já prevê esse tipo de instalação.

A posição de Meloni, no entanto, não se explica apenas por isso. Em 2023, a Espanha apoiou a Itália durante a crise em Lampedusa, quando mais de 10 mil imigrantes chegaram à ilha italiana, que é território Schengen, diferente de Ceuta e Melilla.

O programa de regularização de imigrantes na Espanha também não reforça o argumento italiano. O projeto já recebeu mais de um milhão de inscrições, mas beneficia principalmente latino-americanos e exclui quem entrou ilegalmente no país.

Na imprensa europeia, cresce a leitura de que Meloni se prepara para as eleições de 2027 em um momento de popularidade baixa. Ela enfrenta derrotas legislativas recentes e vê o crescimento do militar Roberto Vannacci, que defende deportação em massa. Atacar Sánchez, por outro lado, é uma ação política que está ao alcance e ainda incomoda a esquerda italiana, que vê o premiê espanhol como referência.

Outros líderes também aderiram ao debate, como a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, que, apesar da origem de centro-esquerda, adota uma das políticas anti-imigração mais duras do continente.

Nas redes sociais, houve reações de Donald Trump, do vice americano J. D. Vance, do presidente argentino Javier Milei e do ministro de Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir. O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, perguntou por que a Espanha ainda mantém “colônias na África”. Historiadores afirmam que o conceito não se aplica a Ceuta e Melilla, que existem desde o fim do século 15.

Em Londres, o líder da ultradireita britânica, Nigel Farage, prometeu, se eleito, a “maior operação no Canal da Mancha desde a Segunda Guerra” para impedir a chegada de imigrantes ilegais. As imagens de Ceuta surgem em um momento delicado para o Reform UK, que, pela primeira vez em meses, aparece atrás nas pesquisas. O Partido Trabalhista, de Andy Burnham, voltou à liderança.

Sobre o autor: Centro de Noticias

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